O que é Reabilitação Oral ?

O que é Reabilitação Oral?

Reabilitação Oral é a especialidade que tem por objetivo, estudar, diagnosticar, planejar e tratar problemas funcionais e estéticos da cavidade oral, além de reger diversas especialidades dentro de um mesmo tratamento, a fim de reabilitar, estética e funcionalmente, a boca de um indivíduo.

As áreas de competência do especialista em Reabilitação Oral incluem:
• Diagnóstico de distúrbios dentais, oclusais e disfunções da articulação temporomandibular;
• Conhecimento de diversas especialidades da odontologia para possibilitar o planejamento do caso e a indicação de determinados tratamentos, baseado em princípios de cirurgia, ortodontia, implantodontia, endodontia, periodontia e dentística;
• Planejamento criterioso, sempre focado em conforto muscular e equilíbrio oclusal;
• Conhecer profundamente oclusão e prótese dental;
• Confeccionar próteses provisórias, guias cirúrgicos para implantodontia, e próteses definitivas, sobre implantes ou sobre dentes, confeccionadas em porcelana, resina ou diferentes ligas metálicas, sempre fiéis ao planejamento realizado

Reabilitação Oral na prática

Pela complexidade deste tipo de tratamento, que sempre deverá abranger as necessidades e anseios do paciente, a etapa mais importante é o planejamento, que envolve a aplicação do conhecimento científico à prática clínica, devendo ser realizado de forma sistemática para se evitar erros. Este planejamento envolve a promoção de saúde do indivíduo e a previsibilidade e longevidade de todas as restaurações e próteses realizadas.
Para isso, deve-se ocorrer uma visão previa do resultado desejado, que, com a aprovação do paciente e do profissional, obtêm-se uma base para uma sequência clínica lógica, que deverá ser seguida durante a execução do planejamento (1).
O planejamento deverá basear-se inicialmente na anamnese e nas análises clínicas (e fotográficas), radiográficas e de modelos de estudo corretamente articulados. Após a colheita de todos estes dados, serão feitas as considerações oclusais (mordida), estéticas, cirúrgicas, periodontais (gengiva), endodônticas (canal), ortodônticas, de implantodontia, e finalmente as considerações restauradoras e protéticas (2). Para muitos, o tratamento estaria finalizado, porém o que muito se negligência, tanto por parte do paciente, como do profissional, é a manutenção da reabilitação oral, tão importante para o seu sucesso e longevidade.
Também é muito importante que, durante as fases de planejamento, seja levado em consideração qual foi o principal motivo de perdas dentais. O indivíduo que sofreu perdas por fraturas decorrentes de bruxismo, sempre apresentará maior risco ao sucesso da reabilitação, quando comparado à doença periodontal ou perda por cáries (3).

Anamnese e Exame Clínico Funcional
Para que se inicie o planejamento de uma Reabilitação Oral, é fundamental que seja feita uma boa anamnese, não só sistêmica, mas também das condições bucais do indivíduo, e dos motivos que o levaram a chegar no estado atual.
Na parte sistêmica, temos algumas contra-indicações, a maioria delas temporárias ou relativas, e que se relacionam diretamente com os procedimentos cirúrgicos e de implantodontia. Espera-se do profissional que tenha um conhecimento mínimo de algumas doenças, ao menos para possibilitar a interação com o médico responsável pelo tratamento, seleção de anestésicos, medicações e do momento ideal para intervenções invasivas.
Em relação ao estado bucal, devemos levar em consideração como e com qual frequência o indivíduo realiza a higienização dental, com que frequência ele visita um cirurgião-dentista, as experiências anteriores dele em relação a tratamentos odontológicos reabilitadores, o motivo das perdas dentais, possíveis dores, desconfortos, lesões de tecido mole, função de glândulas salivares e suas aspirações em relação ao tratamento, tanto funcionais como estéticas. Também é importante observar facetas de desgaste dental, sinal auxiliar ao diagnóstico de bruxismo.

Exame radiográfico
Inicialmente, para que sejam feitas as considerações periodontais, cirúrgicas e endodônticas, necessita-se ao menos de um estudo periapical completo, radiografias interproximais para análise de possíveis lesões de cárie e de uma panorâmica. Posteriormente, para o planejamento de regenerações ósseas e instalação de implantes, é imprescindível que se lance mão de tomografias digitais, para análise minuciosa de acidentes anatômicos e espessura óssea para o correto planejamento da Reabilitação Oral.

Exame dos modelos de estudo
É importante, que além de uma análise clínica, também seja feita uma análise dos modelos de estudo corretamente articulados, reproduzindo a mesma situação da oclusão encontrada em boca, porém sem interferência de tecidos moles. Muitas vezes alguns detalhes passam despercebidos ao exame clínico, e acabam por ser diagnosticados na manipulação dos modelos articulados. Também é muito importante a análise funcional feita através de vídeos do paciente realizando movimentos de excursão da mandíbula, para se verificar a existência das guias de desoclusão e também de possíveis movimentos parafuncionais, que devem ser diagnosticados na fase de planejamento, para serem evitados durante a execução do tratamento.
Atualmente, esta análise também pode ser feita de maneira digital. Com o surgimento do scanner intra-oral, que chegou para substituir o procedimento de moldagem, temos imagens que se comportam em softwares, como modelos articulados, possibilitando a realização da análise funcional sem a obtenção de modelos físicos, e com alguns artifícios, como a medição das forças oclusais aplicadas sobre cada dente.

Análise do Sorriso
Esta analise deve ser realizada principalmente nas fotografias do paciente (foto frontal do rosto, fotos de perfil de ambos os lados, com a boca fechada, levemente aberta e sorriso forçado) (4). Avalia-se a posição da linha média dental em relação à linha média do rosto, exposições dentais, exposições gengivais, corredor bucal (espaço entre os dentes posteriores e o canto da boca, durante o sorriso), e paralelismo dos dentes superiores com os lábios e com a linha bipupilar (linha traçada unindo as duas pupilas). Todos estes fatores estão associados à estética, e devem ser levados em consideração para se obter harmonia no sorriso.

Análise da Dimensão Vertical de Oclusão
Muitas vezes, dependendo diretamente dos desgates e perdas dentais, há também perda da dimensão vertical de oclusão, que é a altura da mordida. Baseando-se na análise das fotos, é possível que se aumente em até 5 milímetros a dimensão vertical (5), distribuindo esta altura entre aumentos nos dentes superiores e inferiores. Com este aumento, é possível melhorar a estética do sorriso, e restabelecer movimentos funcionais necessários para a longevidade da reabilitação e conforto do paciente durante a mastigação.
Depois que se determina o aumento que será realizado, é necessário que o paciente utilize por um tempo determinado, um dispositivo que irá desprogramar a movimentação habitual da mandíbula, para facilitar o registro da mordida na nova dimensão. Após registrada a mordida, é feita uma nova montagem dos modelos (física, em articulador, ou digital, quando ao invés da moldagem, é feito o escaneamento intra-oral), e sobre estes modelos, feita a escultura dos dentes em cera (ou digitalmente), já em seu tamanho e formato definitivo.
Sobre esta escultura, é feita uma guia em silicone, que possibilita que este trabalho seja transferido para a boca, e o indivíduo aprove ou não o trabalho que será realizado.

Execução do Tratamento
Iniciamos a execução da Reabilitação Oral realizando inicialmente os procedimentos de limpeza, tratamento de cáries, canal e extração de dentes que já não podem ser mantidos. Com isso, adequamos o meio bucal ao tratamento, promovendo principalmente saúde ao paciente. Após esta etapa, passamos a trabalhar com a instalação cirúrgica de implantes de titânio, e quando necessário, previamente ou concomitantemente a estes, procedimentos de regeneração óssea (5).
Quando trabalhamos com implantes ósseointegráveis, devemos aguardar em alguns casos, um período que pode variar de 1 a 6 meses, dependendo do tipo de implante utilizado, para a cicatrização do osso (ósseointegração) em torno dos implantes. Após este período, iniciamos os preparos dos dentes remanescentes, de acordo com o planejamento estabelecido anteriormente, e são confeccionados provisórios sobre todos os elementos (dentes ou implantes), constituindo uma fase importantíssima, onde validamos o planejamento realizado, tanto sob a visão funcional, como estética, ainda podendo fazer modificações, caso seja necessário.
Após a validação do planejamento, são realizadas moldagens ou escaneamento intra-oral, e as peças definitivas confeccionadas, geralmente em porcelana ou resina. Também pode-se segmentar o tratamento, substituindo os provisórios pelas peças definitivas de acordo com as prioridades do paciente, em etapas.

Estabilização
A estabilização, ou proteção da reabilitação oral deve ser feita por meio de uso de placa de acrílico (placa miorelaxante), que deverá ser utilizada durante o sono, ou em alguns casos, até mesmo durante o dia, para se evitar possíveis desgastes dentais, ou até mesmo fratura de alguns elementos.
Também pode-se lançar mão do uso de fármacos específicos para a redução da atividade do músculo masseter, através de aplicações semestrais, o que resultará em menor atividade e força muscular.

Manutenções
As consultas de manutenção devem ser realizadas frequentemente, não apenas quando são realizadas reabilitações orais complexas, mas em todos os tipos de tratamento odontológico. Nestas consultas checamos se a higienização está sendo realizada da forma correta, se há alguma alteração relevante na mordida que precisa ser ajustada, ou se existe algum tipo de infiltração por cárie nas restaurações e próteses confeccionadas, principalmente para que problemas sejam diagnosticados precocemente, e possam ser tratados da forma mais simples possível.

Referências
1- Bottino MA, Faria R, Valandro LF. Percepção – Estética em Próteses Livres de Metal em Dentes Naturais e Implantes. São Paulo: Artes Médicas, 2009. 766p.
2- Mendes WB, Myiashita E, Oliveira GG. Reabilitação Oral – Previsibilidade e Longevidade. São Paulo: Editora Napoleão, 2011. 767p.
3- Renouard F, Rangert B. Fatores de Risco em Implantodontia. – Planejamento clínico simplificado para prognóstico e tratamento. São Paulo: Quintessence, 2001. P. 13-66.
4- Fradeani M. Análise Estética: Uma abordagem sistemática para o tratamento protético. São Paulo: Quintessence. 2006. P. 218-241.
5- Solnit A, Curnutte DC. Oclusal Correction. Principle and Practice. Chicago: Quintessence Publishing Inc., 1998.
6- Misch CE. Prótese Sobre Implante. São Paulo: Editora Santos; 2006. p.531-537.